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Guerra na Ucrânia
2.500 pessoas de 40 países africanos servem nas Forças Armadas da Rússia, garante Ucrânia
Entre os estrangeiros que assinaram contratos com o Ministério da Defesa russo para servir nas forças armadas, pelo menos 2.427 são cidadãos de 40 países africanos.
A informação foi adiantada pelo secretário do Centro de Coordenação para o Tratamento de Prisioneiros de Guerra, Dmytro Usov, numa reunião presidida pelo chefe do gabinete do presidente da Ucrânia.
De acordo com o Centro de Coordenação, a reunião foi dedicada à expansão da presença da Ucrânia no continente africano e contou também com a presença do Ministro dos Negócios Estrangeiros, de representantes do Gabinete Presidencial, do Governo, do Serviço de Informações Externas e dos Serviços de Informações de Defesa da Ucrânia, bem como de peritos na região.
Usov afirmou, neste encontro, que entre os estrangeiros que assinaram contratos com o Ministério da Defesa russo, pelo menos 2.427 são cidadãos de 40 países africanos.
"A morte de pelo menos 314 dessas pessoas já foi determinada. Além disso, dezenas de cidadãos africanos de 15 países do continente estão detidos em cativeiro na Ucrânia", acrescentou o secretário do Centro de Coordenação.
O responsável referiu ainda que, para compensar as perdas significativas no campo de batalha, as autoridades russas estão a desenvolver ativamente uma rede de recrutamento nos países mais pobres de África.
"Alguns estrangeiros são recrutados sob o pretexto de empregos bem remunerados - na construção civil, na segurança ou como motoristas. Não são informados sobre a participação nas hostilidades. Depois de assinarem um contrato e de uma curta formação (cerca de 16 dias) num campo de treino, são imediatamente enviados para a frente de combate", disse Usov.
O secretário do Centro de Coordenação sublinhou que, com o objetivo de expor e contrariar as práticas ilegais russas, o projeto "Quero Viver" publica regularmente informações sobre esquemas de recrutamento e pessoas envolvidas na guerra com os seus próprios recursos, em cooperação com meios de comunicação social e investigadores internacionais.
Em abril de 2025, a publicação russa Vazhnye Istori noticiou que mercenários de pelo menos 48 países estavam a participar na guerra contra a Ucrânia do lado da Federação Russa. Cerca de 1.500 mercenários foram identificados pelos jornalistas que descobriram como os estrangeiros são recrutados para o exército russo.
Dmytro Myxajlov / 25 março 2026 18:12 GMT
Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa - RTP